terça-feira, 19 de junho de 2018

O EVANGELHO DA POBREZA –Vincent Cheung

Alguns dos que pregam o evangelho da pobreza são, na verdade, bastante favorecidos, enquanto o povo persevera em suas doutrinas sem a esperança de qualquer melhoria. Alguns desses ministros operam a partir de mega igrejas ou quase mega igrejas (enquanto pregam contra mega igrejas).

O evangelho da pobreza não vem das Escrituras, mas da tradição humana, e muitos pregadores vivem disso decentemente. De fato, é uma tradição católica. Um padre pode até fazer um voto de pobreza, mas pode viver como um rei, desde que não reivindique possuir nenhuma das propriedades, mansões e automóveis de que ele gosta.

O evangelho protestante da pobreza não está longe disso, mas é mais desonesto porque é menos óbvio, e é quase certamente mais hipócrita. Tudo isso é satânico. Degrada a humanidade, especialmente os crentes, e os faz sofrer sem esperança, sem razão.

Este é o evangelho antisaúde e antiriqueza. Não prega o sofrimento por Cristo, mas o sofrimento em prol do sofrimento. As pessoas adoram sofrer em si. E este evangelho faz com que as pessoas joguem fora o sangue de Cristo como se fosse água de esgoto. Ele permeia o protestantismo. E as únicas pessoas que lutam contra isso são rotuladas como hereges.

Traduzido de http://www.vincentcheung.com/2016/10/25/the-gospel-of-poverty/ por Cristiano Lima

A ESPADA DO ESPÍRITO – Vincent Cheung

A Bíblia nos diz que temos a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Essa metáfora é relevante porque se aplica ao conflito espiritual, que é o que acontece quando uma batalha de ideias e travada entre cristãos e não cristãos.
Se nossa abordagem à apologética invoca a Palavra de Deus, então quando os incrédulos nos desafiam, nossa resposta envolverá enfiar essa arma diretamente em seus corações. Isso é uma guerra e seu dever é óbvio. Quando você enfrenta um oponente não cristão, você deve machucá-lo; atacar seu orgulho; danificar sua confiança; destruir aquilo em que acredita e em quem confia. Então deve declarar sua derrota e mostrar ao mundo que o colocou sob seus pés em nome de Cristo.

Se adotarmos essa abordagem bíblica à apologética ao confrontar os incrédulos ou quando confrontados por eles, eles nunca serão os mesmos. O evangelho soletra sua derrota, sua morte, seu destino eterno. Se eles se recusarem a se arrepender, então a escuridão deles ficará mais escura, e seus corações se tornarão mais duros. Eles perderão muito mais de sua sanidade e humanidade. Se tornarão ainda mais estúpidos e ainda mais malignos. Vão morrer em suas mortes. Quanto àqueles a quem Deus escolheu e permitiu crer, Ele os ressuscitará dos mortos e os despertará para a justiça. Seja como for, uma vez que a Palavra de Deus penetra, eles nunca serão os mesmos.

Uma espada implica sangue, violência, ofensa e conquista. Condenamos a nós mesmos se confessarmos que a Palavra de Deus é a espada do Espírito, mas ao mesmo tempo deixarmos de dar lugar apropriado à natureza ofensiva de nosso trabalho. Dizemos que cremos na Grande Comissão, mas na medida em que a pregação do evangelho propaga ideias que contradizem o que os não-cristãos acreditam, o aspecto ofensivo do nosso trabalho de fato precede qualquer medida defensiva. Se nos calarmos sobre o que cremos, ou se segurarmos a espada na bainha, embora a sua natureza viva proteste toda supressão, então não haveria nada para os incrédulos desafiarem. O fato de que eles exigem uma resposta ou defesa de nós pressupõe que nós, ou mais soldados fiéis do que nós, já temos tomado a ofensiva.

A espada do Espírito é embainhada na verdade, que a Bíblia compara a um cinto que contém outros itens no lugar. Esta arma de ataque é retirada da verdade, a partir da verdade. Em termos mais concretos, é derivada ou deduzida da Bíblia. Como essa relação ocorre, se a espada significa aplicações particulares e ágeis, então o cinturão pode se referir a todo o sistema bíblico de doutrinas. A constante busca e crescimento nas disciplinas da teologia sistemática, da teologia bíblica, do conhecimento bíblico geral e de passagens bíblicas particulares fortalece nosso cinturão e afia nossa espada.

Quão grato sou ao Senhor quando olho para meus oponentes e também me divirto um pouco. Eles estão desalinhados, despidos e desarmados. Alguns tremem, como deveriam. Mas outros estão confiantes – esses são os delirantes, pois não percebem que um maior está diante deles em nome de Cristo. Ele não me deixou despreparado, mas assegurou que eu seja bem treinado e bem equipado. Deu-me a garantia de que vou ganhar todas as vezes, se eu apenas lutar, e matar seus inimigos com golpes decisivos da espada.

Os cristãos estão de acordo  que a verdade é o nosso fundamento, o nosso centro e a fonte do nosso pensamento. É duvidoso que alguém que não concorda com isso seja um cristão. Assim, extraímos nossas pressuposições, doutrinas e argumentos da verdade, isto é, da Escritura. No entanto, eles não estão de acordo sobre, como a verdade deve ser aplicada e defendida. A abordagem da apologética que denuncio aqui, resultou de uma falsa compreensão do que significa fornecer uma resposta ou defesa àqueles que perguntam, o que isso significa, e em que contexto fazer isso com “gentileza e respeito”.

Essa falsa compreensão é, por sua vez, resultado de um desinteresse pelo que Pedro realmente tem a dizer e da busca de uma agenda privada, a saber, uma abordagem do discurso social e interação que agrada os sentimentalismos e padrões culturais dos não cristãos. É claro que a distorção das Palavras de Pedro não é o único fator que contribui para essa abordagem pagã, mas o verso é um exemplo bom e proeminente, entre outros, que foram igualmente maltratados. Isso resultou em uma restrição anti-bíblica em duas áreas principais da apologética.

Primeiro, a abordagem não-bíblica da apologética coloca uma restrição na razão. Os cristãos às vezes exibem uma aversão à "razão", em parte porque são confusos e desobedientes, mas em parte porque a palavra é frequentemente carregada de suposições que os crentes não deveriam aceitar. Seja consciente ou instintivamente, às vezes os cristãos detectam essas suposições e, em vez de desafiá-las, tornam-se hostis à própria razão. E assim os incrédulos chamam os cristãos de sem razão ou irracionais. No entanto, não é contra a razão em si que precisamos ser cautelosos, mas contra essas suposições.

Por exemplo, o racionalismo é o modo de pensar que afirma utilizar a razão para descobrir e deduzir todo um sistema de verdade, com uma rejeição consciente da revelação desde o princípio. É claro que os cristãos não podem aceitar isso, e nenhuma pessoa que pensa, deve aceitá-lo. Ou, o empirismo é frequentemente identificado com a razão. Como o método científico envolve uma aplicação deliberada de métodos e pressupostos empíricos, a ciência é também frequentemente identificada com a razão. Mas, novamente, não é necessário identificar o empirismo e a ciência com a razão.

Em vez disso, a razão pode se referir às leis da lógica, os princípios que descrevem as regras necessárias do pensamento. Por exemplo, duas proposições não devem se contradizer. Ou, quando um item é igual a outro, e o segundo é igual ao terceiro, o primeiro também é igual ao terceiro. Princípios básicos como esses também formam a base para delinear as formas que os argumentos válidos devem tomar. Estas são regras necessárias de pensamento que se devem seguir, quer as pronunciemos ou não. E os homens instintiva e necessariamente as usam enquanto falam e debatem entre si.

Da perspectiva cristã, a razão é uma descrição do modo como Deus pensa. É a maneira como Ele estrutura a Criação e a maneira como Ele estrutura sua revelação. Assim, uma rocha não pode ser uma rocha e não ser uma rocha ao mesmo tempo e no mesmo sentido. E a Bíblia assume a necessidade da lógica em seus ensinamentos e argumentos. Por exemplo, Jesus supôs que a Bíblia não pode se contradizer quando Ele contestou com Satanás; e não há registro de que o próprio diabo tenha discutido com Ele sobre isso. Então, Ele também usou o mesmo princípio para confundir os fariseus, como quando Ele notou que o Messias deveria ser tanto o Fiilho quanto o Senhor de Davi. Os escritos dos profetas e dos apóstolos também estão cheios de argumentos que assumem as leis da lógica.

Não há nada errado com a própria razão, se removermos, é claro, as suposições desnecessárias dela. E quando o fazemos, descobrimos que a razão é uma arma imbatível nas mãos de um cristão. Por exemplo, descobrimos que toda a ciência desmorona dentro de alguns segundos quando testada pela razão. É claro que, se identificarmos a ciência com a razão, talvez não digamos isso, já que a ciência seria a razão. Mas se considerarmos que a razão significa a lógica sem a bagagem de suposições desnecessárias, então a alegação de que a ciência é racional é aniquilada. Isto é devido à sua dependência da indução, sensação e da falácia formal de afirmar o consequente em seu pensamento e procedimentos. Qualquer um desses três itens destruiria a afirmação de que a ciência é um pouco racional. A ciência é apenas uma versão sofisticada e sistematizada do irracionalismo.

Se insistirmos nesse ponto da apologética, todas as objeções científicas contra a fé Cristã serão destruídas antes mesmo de serem examinadas. O método da ciência se destrói e impede que ela descubra algo sobre a realidade. A abordagem usual na apologética é adular a ciência e dizer que ela pode, de fato, descobrir a verdade, se for adequadamente conduzida. Então a defesa do evangelho se transforma em um debate sobre a ciência, e assim o incrédulo neutraliza o propósito do cristão, independentemente do resultado do debate. O reino dos céus não faz progresso.

Até mesmo a versão popular da apologética pressuposicional endossa a ciência, embora ela ensine que não podemos explicá-la sem pressuposições bíblicas. Mas isso é ainda mais ridículo. A ciência é irracional em si mesma, o que significa que nenhum conjunto de pressuposições pode justificá-la ou explicá-la, exceto para explicar sua falsidade. Portanto, essa forma de apologética pressuposicional faz da Bíblia cúmplice de uma mentira. Em vez de defender a fé, ela comete blasfêmia. A razão pertence aos cristãos. Não devemos deixar que os não cristãos a sequestrem carregando-a com suas suposições particulares. Eles reivindicam a razão para si mesmos. Eu estou tomando de volta.

Alguns cristãos usaram as falácias informais para ilustrar o desacordo das Escrituras com a razão. Mas as falácias informais são, elas próprias, aplicações da razão e não pertencem estritamente à razão em si. Esses aplicações podem estar certas ou podem estar erradas. Por exemplo, a falácia informal do xingamento aponta para um problema lógico genuíno apenas quando é reduzido a uma falácia de irrelevância. Isto é, se uma pessoa insulta a outra com um nome ou rótulo que é irrelevante para o debate, e se ela pronuncia o insulto como se fosse relevante, então é uma falácia lógica. Mas não há problema lógico no ato de chamar o próprio nome.

De fato, se o xingamento procede da visão de mundo da pessoa, então é uma parte necessária do que precisa ser discutido. Por exemplo, as Escrituras usam as palavras “pecadores”, “tolos”, “cães”, “cobras” e coisas semelhantes para descrever incrédulos. Se o cristão evita usá-los, então ele não está mais falando da fé Cristã. Portanto, nesses casos, os insultos não são falácias informais, mas parte da Cosmovisão Cristã. É nisso que cremos – cremos que os não cristãos são pecadores, tolos, cães e assim por diante. E se o não cristão discordar dessas caracterizações, então isso faz parte de sua cosmovisão. O conflito agora se torna mais evidente, e o debate pode se tornar mais relevante e produtivo como resultado.

Em segundo lugar, a abordagem não bíblica da apologética coloca uma restrição na retórica. Esta é outra palavra carregada. É frequentemente associada a sofismas, ou a um uso habilidoso da linguagem com o propósito de enganar ou manipular. Isso não é o que quero dizer. Quando esvaziada dessas suposições, a palavra pode simplesmente se referir a um uso efetivo da linguagem, ou habilidade em falar ou escrever. Seu objetivo é trazer clareza à nossa comunicação e trazer à tona a força inerente às nossas crenças.

Palavras são símbolos que transmitem ideias. Os símbolos não são associados às ideias por necessidade, uma vez que um símbolo pode representar uma ideia tão bem quanto outra. Portanto, não importa quais símbolos usemos para representar nossas ideias. Mas uma vez que os símbolos estejam associados às ideias, importa quais símbolos usamos quando comunicamos nossas idéias, já que os diferentes símbolos agora representam idéias diferentes. Então, o tom, o estilo e a estrutura de nossa comunicação também afetam as nuanças precisas das ideias comunicadas. Assim, a retórica não é mero efeito.

Na apologética, o cristão deve usar todos os dispositivos retóricos, formas, estilos e expressões exibidos nas Escrituras. Muitos deles não são rejeitados por crentes e professores em apologética, mas outros são denunciados como duros e desamorosos, mesmo que eles sejam oriundos das Escrituras. Como mencionado, a retórica não pode ser inteiramente divorciada do conteúdo, de modo que opor-se à retórica das Escrituras é se opor ao seu conteúdo. As Escrituras denunciam o pecado, mas o fazem em certos tons, usando certas palavras e certas atitudes. Se retermos o que pensamos serem as ideias expressas, mas usarmos apenas os tons e as palavras que os incrédulos não acham ofensivos, então ainda não estamos dizendo ao mundo o que a Escritura realmente diz, ou o que a Cosmovisão Cristã realmente é. Além disso, a linguagem das Escrituras também evoca uma certa resposta. Se você alterar o idioma, altera a resposta. Portanto, apresentar ou defender o evangelho dessa maneira é antibíblico e insatisfatório.

A rejeição da retórica bíblica é uma deficiência em debate, e é um pecado diante de Deus, uma vez que implica vergonha ou desprezo em relação à sua Palavra. Que Deus liberte seu povo das tradições humanas que o proíbe de seguir a Bíblia tanto em seu conteúdo quanto em sua linguagem, tanto em sua razão quanto em sua retórica. Não importa quantos de vocês estão do outro lado desta questão. Você está errado. E você não pode lutar contra Deus e vencer. Meu Pai é maior que todos. Quanto àqueles que têm ouvidos para ouvir, você é livre para falar e escrever da maneira que os profetas fizeram, da maneira que os apóstolos fizeram, e do modo como o Senhor Jesus fez isso. Não permita que as tradições religiosas ou os padrões culturais o impeçam de seguir a Palavra de Deus. A menos que você se afaste dessas coisas, você não encontrará liberdade em manejar a espada do Espírito.

Devemos nos livrar de todas as restrições que limitam nosso uso da razão e da retórica em atacar os não cristãos, criticar seu estilo de vida e destruir tudo em que acreditam.

A espada do Espírito é uma arma espiritual. O cristão exerce isso na pregação e no argumento. Mas esta arma é a espada do Espírito, em outro sentido também. Isto é, é o Espírito Santo que determina o efeito que a Palavra de Deus tem sobre as pessoas. O cristão exerce isso na fala e na escrita, mas o Espírito faz com que ela penetre nos corações dos homens. Jesus disse que o Espírito Santo convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo. O Espírito Santo é a arma secreta do cristão. Ele não deve ser um segredo para nós, mas é um mistério para os incrédulos. Ele é o fantasma, por assim dizer, que os assombra. Ele é o fator X que eles nunca podem planejar, escapar, enredar ou subjugar.

O Espírito Santo é uma torre para os cristãos. Sua influência não se limita ao momento do conflito, mas Ele é o Espírito do amor, de poder e de uma mente sã. Ele é o Espírito de ousadia, de modo que os primeiros discípulos ficaram cheios do Espírito Santo quando oraram para que Deus lhes concedesse a ousadia de pregar sua Palavra. Ele é o Espírito de conhecimento e compreensão, de percepção e revelação, de segurança e exuberância na defesa da fé. Então Ele não apenas me ensina apologética, como em palavras para dizer e técnicas para usar, mas Ele me faz um apologista, um hábil defensor da fé. Como está escrito, Ele “treina minhas mãos para a guerra e os meus dedos para a batalha” (Salmos 144: 1). “Com o teu auxílio posso atacar uma tropa; com o meu Deus posso transpor muralhas” (Salmo 18:29).

Mas o Espírito Santo é um terror para os não cristãos. Eles estão sem auxílio e indefesos diante de seu poder. Eles não podem matá-lo, e não podem argumentar contra e escapar Dele. Suas mentes estão sob seu controle soberano. O Espírito pode confundi-los no debate e convencê-los de seus pecados. E mesmo quando saem de cena, Ele vai com eles, introduzindo dúvidas em suas mentes sobre suas crenças e convicções em suas consciências sobre seus pecados. Ele pode convertê-los à fé cristã a qualquer momento que Ele escolher. Se o Espírito quiser, eu posso romper a mente mais endurecida com o Evangelho apenas afirmando isso. Os incrédulos não têm defesa contra mim. Eles não podem impedir a conversão de qualquer um que o Espírito tenha escolhido converter. Os escolhidos são nossos por sua decisão. Nem força de vontade, argumento, educação, ou a experiência pode resistir à ação direta do Espírito Santo na mente. Se Deus te escolheu para a salvação, nada pode me impedir de reivindicar sua própria alma pelo Senhor Jesus.

Muitos cristãos podem achar difícil esse aspecto da apologética. Isso é provavelmente porque o Espírito Santo não está sujeito ao nosso controle. Em vez disso, Ele faz o que lhe agrada e nós estamos sob o seu comando. No entanto, existem princípios sobre suas atividades cuja natureza é tal que podemos aprender a interagir deliberada e inteligentemente com Ele. Por exemplo, Ele é o Espírito da verdade que capacitaria os crentes a entender as coisas de Deus. E Jesus ensinou que o Pai concederia o Espírito àqueles que pedissem. Assim, podemos pedir a Deus que o Espírito Santo nos encha, nos fortaleça e nos torne sábios, e confunda os inimigos do reino dos céus.

Traduzido de http://www.vincentcheung.com/2009/01/14/the-spirit-sword/
por Cristiano Lima.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

CESSACIONISMO -Tão Grande Danação – Vincent Cheung –

“Porque se a mensagem transmitida por anjos provou a sua firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Esta salvação, primeiramente anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram. Deus também deu testemunho dela por meio de sinais, maravilhas, diversos milagres e dons do Espírito Santo distribuídos de acordo com a sua vontade” — Hebreus 2:2-4.

Se a nossa passagem implica na cessação dos milagres (v.4), então ela também implica na cessação da fala (v.3). Uma vez que o cessacionista usa esse texto para impedir os milagres em geral, e não apenas os milagres que serviram como autenticação do evangelho (v.4), o texto também irá impedir qualquer tipo de fala, sobre qualquer coisa, e não apenas a fala que serviu para anunciar o evangelho (v.3). Se o cessacionista pode pedir por uma comida num restaurante, se o cessacionista pode orar a Deus, se o cessacionista pode confessar a Jesus Cristo para sua salvação, e se o cessacionista pode falar sobre o cessacionismo, ele se expõe como alguém totalmente estúpido quando usa esta passagem para provar o cessacionismo. Jesus prometeu que qualquer um que tivesse fé poderia fazer milagres, incluindo milagres como ordenar à uma planta para seja arrancada e uma montanha para seja removida (Mateus 21:21). Ele também prometeu que qualquer um que tivesse fé nele poderia fazer os mesmos milagres que ele fez, e até mesmo milagres maiores do que aqueles ele fez (João 14:12). Além disso, ele prometeu que aqueles que tivessem fé receberiam o mesmo poder miraculoso que ele possuía pelo Espírito Santo (Lucas 24:49; Atos 1:8). Isso está incluso na mensagem que foi “primeiramente anunciada pelo Senhor” (Hebreus 2:3). Então os seus primeiros seguidores pregaram o mesmo (Atos 2:39) e demonstraram aquilo que ele prometeu (Atos 3:16). Isso está incluso na mensagem que nos foi “confirmada pelos que a ouviram” (Hebreus 2: 3). De fato, o próprio Deus testificou a mensagem de Jesus por meio de sinais e maravilhas (Hebreus 2:4) — a mensagem que inclui a ordem e a promessa para aqueles que têm fé para receber e operar milagres no seu nome. Assim, Jesus anunciou que teríamos milagres. Seus apóstolos confirmaram que teríamos milagres. E Deus testemunhou que teríamos milagres. O contexto, o conteúdo e a gramática da passagem apontam para o fato de que esta mensagem foi finalizada. Ela não pode ser alterada. Ela não pode ser anulada. Os cristãos sempre serão capazes de receber e operar milagres pela fé. Agora me responda, como alguém pode se desculpar ao pregar contra isso e dizer que os cristãos não poderão operar milagres pela fé, e que os milagres cessaram? Esta pessoa não tem desculpa. E me responda, como alguém pode escapar se ele ensina o oposto dessa mensagem que foi anunciada por Cristo, confirmada pelos apóstolos e testemunhada pelo próprio Deus? Esta pessoa não tem escapatória. Se alguém que viola “a mensagem transmitida por anjos” (v.2) é condenado à morte e enviado para o inferno, o que devemos dizer ao cessacionista? Este sujeito desafia a mensagem do Senhor dos Anjos e se recusa a receber as suas promessas sobre milagres e fé. O que Deus fará com o cessacionista? Este sujeito declara que o evangelho de Cristo cessou, e que as suas promessas já não são verdadeiras. Como o cessacionista poderá escapar, se ele condena essa grande salvação (v.3)? E o que acontecerá com uma pessoa que demonstra ter qualquer respeito por um teólogo ou pregador cessacionista (Romanos 1:32)? Se o cessacionista usa essa passagem para provar o cessacionismo (v.4), então a única conclusão é de que ele não pode pregar o evangelho (v.3), o que implica no fato de que ele é desobediente à comissão do evangelho. Ele não tem autoridade para nos ensinar qualquer coisa, ou para participar das nossas discussões cristãs. Ele tem que CALAR A BOCA! Mas, pior ainda, isso também significa que ele não pode usar pensamentos verbais, gestos de linguagem ou discurso audível para confessar a Jesus como seu Senhor e, desse modo, como em muitos outros casos onde cessacionista tenta usar as Escrituras para provar o cessacionismo, tudo dá errado e os resultados chegam até a conclusão de que ele não pode ser salvo, e que ele QUEIMARÁ NO INFERNO.

---------- Extraído de: http://www.vincentcheung.com/2017/06/18/cessationism-so-great-damnation/

Traduzido por: Dione Cândido Jr.

NÃO DEIXANDO O CONTEXTO – Vincent Cheung –

"Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia." (Hebreus 10:25, ACF)

Comecemos por afirmar as coisas com as quais estamos de acordo. Afirmamos que o próprio Deus projetou e estabeleceu a igreja, de modo que ela não é uma invenção arbitrária do homem, e que Cristo é quem edifica sua igreja, de maneira que minar seu valor e progresso é se opor ao próprio Cristo. Afirmamos que a igreja se manifesta na terra como muitas congregações locais, e que cada congregação local é considerada imperfeita, porém que sua própria imperfeição não a torna ilegítima. Essas coisas não estarão sob discussão no que se segue, de modo que, não importa o que seja dito, de maneira nenhuma deve ser entendido que esses itens sejam negados ou comprometidos.

Assim, afirmamos que a frequência à igreja, pelo menos em princípio, é desejável.  Dizemos “em princípio” porque seria absurdo afirmar que a frequência à igreja é boa, independente das doutrinas e qualidades dos pregadores, membros e outras considerações. Talvez alguns se oponham a isso, e digam que a frequência à igreja é desejável e até mesmo necessária, não importa o que aconteça. Essa é uma das coisas que serão resolvidas, pelo menos em relação ao nosso texto. Em todo caso, os itens listados acima, e a legitimidade geral da membresia e da frequência à igreja não estarão sob discussão. O que estará sob discussão é o uso apropriado de Hebreus 10:25.

A Bíblia possui poder incomparável e exige respeito e obediência. Por essa razão, não é incomum as pessoas assaltá-la para promoverem seus próprios pontos de vista e interesses. Frases e sentenças que parecem utilizáveis ​​para esse propósito são repetidas como truísmos para persuadir, manipular e até mesmo ameaçar os outros por submissão. Isso é feito com tanta frequência que há quem se queixe de que a Bíblia pode ser distorcida para endossar qualquer agenda. Mas tal observação é preguiçosa e falsa. Alguém pode falhar em notar um texto arrancado do contexto, de tal modo que ele fique sob pressão a acreditar na posição afirmada. Outro pode observar que o mesmo texto é usado para afirmar muitas posições contraditórias, mas se há um contexto para o texto que restringe seu significado, então, se queixar que o texto pode ser usado dessa forma, é ser enganado tanto quanto a primeira pessoa. 

A queixa seria relevante apenas se acompanhada pela alegação de que não há contexto para qualquer texto bíblico, e que todo texto, ou pelo menos todo texto que tenha sido usado para afirmar posições contraditórias, ocorra sem qualquer contexto teológico, literário, histórico ou cultural.  Entretanto,  a alegação de que todo texto desse tipo ocorre num vácuo seria falsa; em vez disso, a verdade é que todo texto da Bíblia aparece em algum contexto que coloca grandes restrições em seus possíveis significados e aplicações. Se uma letra deve ser lida em relação às suas letras adjacentes para formar uma palavra, e uma palavra deve ser lida em relação às suas palavras adjacentes para formar uma frase, então uma sentença ou um parágrafo também deve ser lido em relação ao seu contexto, a fim de formar um pensamento.

Para ilustrar, há o mandamento , “Honre a seus pais,” e isso inclui a ideia de obedecê-los, de fazer o que eles dizem. Os pais são humanos e, como tais, são pecadores, como todos os homens e mulheres. Assim, não é incomum que eles manipulem seus filhos com esse texto. Mesmo pais não cristãos às vezes usam isso para impor seus maus desejos sobre seus filhos. Entretanto, esse mandamento não foi descoberto em um biscoito da sorte, mas Deus o anunciou no contexto dos Dez Mandamentos, que por sua vez foram revelados no contexto de seus poderosos sinais e prodígios em Êxodo e no contexto de toda a Lei.

A autoridade dos pais foi mantida e restringida pela Lei, e eles teriam que obedecê-la. Os próprios pais teriam sido punidos pela Lei se tivessem violado seus mandamentos. Se um pai ou mãe tivesse ordenado a seu filho que adorasse um ídolo, cometesse perjúrio ou fizesse alguma outra coisa contrária à Lei, tal instrução não teria nenhuma autoridade, e a criança não teria a obrigação de obedecê-la; em vez disso, ela teria que resistir e até mesmo denunciá-lo, a fim de que ele recebesse a punição que merecia da Lei. Assim, Paulo escreve: “Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor”. Se seus pais lhe disserem para jogar o lixo ou lavar a louça, ou algo muito mais significativo do que isso, faça-o. Mas se eles lhe disserem para adorar um ídolo, aceitar um ensinamento ou ideologia não cristã, mentir para alguém, ou ignorar o pecado, então desobedeça-os e pleitei com eles; mas se isso falhar, repreenda-os e desafie-os até a morte.

Ou que tal o provérbio: “Na multidão de conselheiros há segurança”? Usando isso, as algumas pessoas tentaram impor seus maus conselhos sobre mim. Eles não apenas me obrigaram a ouvir, mas assumiram que, a menos que o conselho deles afetassem minha decisão, eu estava rejeitando o conselho e desobedecendo a Bíblia. No entanto, em Provérbios 11:14, a declaração se aplica a um povo ou a uma nação, e em 24: 6, refere-se à guerra. Evidentemente, isso não impede que ela seja aplicada em uma escala menor, então uma consideração mais significativa é que os próprios Provérbios distinguem entre os sábios e os tolos. E diz: “Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal” (13:20).  Assim, é suposto que a multidão de conselheiros é de sábios. Como 20:18 diz: “Os planos são estabelecidos por conselho; por sábia orientação, se guerreia” (ESV). Quem são os sábios? Provérbios diz que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, assim, os não cristãos nem sequer começaram a possuí-la.

A verdade é que a maioria das pessoas não são cristãs; que a maioria das pessoas que se dizem cristãs não são; que os cristãos mais genuínos não são educados na palavra de Deus; e que a maioria dos cristãos genuínos educados na palavra de Deus são tendenciosos por causa de seus desejos pecaminosos e tradições religiosas. A maioria das pessoas que oferecem conselhos, oferecem conselhos ruins, porque a maioria delas não tem ideia do que estão falando. Na multidão de tolos, há muito perigo. “O caminho do insensato parece-lhe justo,  mas os sábios ouvem o conselho” (12:15). Isso é verdade, mas no contexto de Provérbios, é suposto que tal conselho é piedoso e sábio. Agora, nem todos os bons conselhos concordam, e mesmo quando concordam, isso nem sempre significa que é o conselho certo para você. Você poderia levá-lo em conta, mas depois fazer outra coisa. Porém, conselhos tolos de pessoas tolas devem ser rejeitados, não importa qual verso eles usem para manipulá-lo ou ameaçá-lo. Não sinta medo ou culpa por descartá-los. Se possível, familiarize-se com as pessoas que reverenciam a Deus, e que conhecem e acreditam nas Escrituras, e buscam conselhos delas.

Assim, descontroladamente, um verso arrancado do contexto por todo parte, nada faz para promover a verdade e a piedade; em vez disso, prejudica a fé e a vida daqueles que respeitam a Bíblia e tentam obedecê-la. Muito dano tem sido causado pelo uso indevido de Hebreus 10:25. Tem sido usado, muitas vezes sem levar em conta o contexto do versículo ou a situação do público, afim de exigir a participação e frequência à igreja, e ameaçar aqueles que se abstêm ou se retiram. Mas a razão para o abandono é primordial neste verso; de fato, a menos que nossa compreensão do verso seja completamente colorida por ele, perderíamos o seu ponto e, de fato, o ponto de tudo de aos Hebreus. O motivo do abandono é tão importante que é questionável se o verso pode ser aplicado fora do contexto. Ele restringe as possíveis aplicações.

A partir do primeiro verso de Hebreus, o escritor oferece uma demonstração meticulosa da superioridade de Cristo sobre o sistema judaico. Ele mostra que Jesus Cristo é superior a Moisés, Arão, os profetas e até mesmo os anjos, que devem adorá-lO. Ele mostra que Cristo está em uma ordem superior de sacerdócio, que Ele administra uma melhor aliança com melhores promessas, em um santuário mais excelente, e que Ele ofereceu um sacrifício superior, o qual foi completo e permanente.

A comparação é feita não contra a religião popular dos judeus, que foi corrompida com regras e tradições inventadas por homens que reivindicaram o cumprimento da Lei, mas de fato a subverteram, mas é feita contra a Lei real que o próprio Deus estabeleceu no Antigo Testamento. O escritor não sugere que a Lei foi um erro, mas que sempre foi a sombra que introduziria a realidade, isto é, Jesus Cristo: “A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a sua realidade” (10: 1). Ou, como Gálatas 3:24 diz: “Assim, a Lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé”.

O fato de o argumento envolver essa comparação meticulosa com aquelas coisas que eram mais importantes para os judeus poderia sugerir que os leitores eram judeus e que sua condição era tal que eles precisavam ser lembrados da superioridade de Cristo. No entanto, um ensinamento geral sobre a superioridade de Cristo é insuficiente para estabelecer este contexto. Como às vezes ressalto, os estudiosos assumem regularmente que quando um escritor bíblico exorta seus leitores a uma doutrina ou prática, isso deve significar que eles estavam acreditando ou fazendo o oposto, ou pelo menos em risco de acreditar ou fazer o oposto. Mas isso é uma falácia, já que na realidade qualquer pessoa pode mencionar qualquer assunto a qualquer outra pessoa por qualquer motivo, ou apenas porque ela acha que é importante. Isso não significa que a Bíblia contenha materiais irrelevantes, porque toda a Bíblia é importante para os cristãos, de modo que toda ela é relevante para eles em todas as situações. O ponto é que não podemos assumir que relevância signifique que os leitores originais estavam sempre acreditando ou fazendo o oposto do que lhes foi escrito. Isso parece tornar mais difícil o aprendizado do contexto (mas o contrário só produz a ilusão de um bom entendimento do contexto), mas, ao contrário da opinião acadêmica, quase nunca é necessário conhecer a condição específica dos leitores para entender e aplicar uma passagem.

Quando dizemos a um estudante para “estudar bastante”, isso não significa necessariamente que achamos que ele seja preguiçoso. Talvez ele já esteja estudando bastante e a exortação seja um incentivo para que ele continue. Uma pessoa que ouve isso deve ter pouco problema em entender o que as palavras significam, mesmo sem qualquer conhecimento sobre o estudante. Uma vez admitido, "bastante" é relativo e pode-se medir o significado apenas se ele tiver um ponto de referência. Entretanto, esse ponto de referência não precisa ser o estudante. Se essa pessoa nos segue, em vez do estudante, ele logo entenderá o que entendemos por "bastante”, talvez até melhor do que se ela seguisse o estudante.

Do mesmo modo, não há necessidade de seguir os leitores de Paulo e Pedro para entender o que os apóstolos querem dizer. Eu posso seguir Paulo e Pedro lendo os Atos dos Apóstolos e suas muitas cartas. Todo o Novo Testamento me ajuda a entender a cultura e formação deles e, portanto, o que eles querem dizer com seus ensinamentos. De fato, poderíamos dizer “estude bastante” para ninguém em particular, e alguém que nos ouve poderia ainda ter uma ideia do nosso pensamento. Ele entenderia que isso é o que valorizamos e, novamente, poderia avaliar o que queremos dizer com “bastante”, conhecendo mais sobre nós, sem qualquer necessidade de saber mais sobre quem dizemos isso, que neste caso não é ninguém.

Por outro lado, os estudiosos da Bíblia muitas vezes são tão obcecados em pesquisar informações extrabíblicas para esclarecer sua leitura de passagens bíblicas que eles deixam de ler as próprias passagens bíblicas. Não é incomum encontrar um comentário que forneça páginas de informações históricas incertas, apenas para provar o que o versículo diz explicitamente, muitas vezes dentro da mesma sentença, ou pior, para descobrir que faz inferências falsas a partir de pesquisas já duvidosas, para chegar a uma conclusão que seja explicitamente contradita pelo verso, ou talvez a sentença seguinte na passagem. A primeira, a mais importante e também a mais negligenciada regra de interpretação bíblica é ler as palavras.

Agora, se disséssemos: “Estude bastante – pare de ser tão preguiçoso”, então alguém que ouve isso, também obtém algum conhecimento sobre não apenas o que valorizamos, mas também a condição do estudante. Isso pode ser útil, mas, novamente, é desnecessário entender a exortação para “estudar bastante.” No entanto, há declarações em Hebreus que nos fornecem essa percepção direta da condição de seus leitores. Por exemplo, 5:11 diz: "Quanto a isso, temos muito que dizer, coisas difíceis de explicar,  porque vocês se tornaram lentos para aprender." Dizer “aprender mais rápido” não indicaria que os leitores demoram a aprender (novamente, os comentários bíblicos constantemente cometem tal falácia), mas “você demorou a aprender” sem dúvida indicaria isso. As declarações que envolvem tal descrição, se estiverem obviamente relacionadas a ela, também fornecerão informações sobre os leitores. Depois disso, quando encontramos declarações em outras partes de Hebreus que ecoam a mesma ênfase, seria razoável supor que elas também abordam a condição do público original.

Com isso em mente, a seção que começa em 5:11 indica que os leitores demoraram a progredir na fé (5: 11-14), com ênfase especial em sua falta de avanço na compreensão das doutrinas cristãs (6 : 1-3). Há uma advertência ou exortação (6: 4-8), mas o escritor observa: “Estamos convictos de coisas melhores em relação a vocês, coisas próprias da salvação” (v. 9). Então vemos isto: “E desejamos que cada um de vocês mostre a mesma sinceridade para que tenha plena certeza da esperança até o fim, para que não sejam negligentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (v. 11-12, ESV). Se descobrissémos essa afirmação em outro lugar, não poderíamos concluir que ela foi escrita para tratar da condição específica dos leitores. Mas podemos tirar esta conclusão aqui porque a declaração aparece no contexto de uma descrição e discurso direto sobre os leitores (5:11, etc.). Depois disso, torna-se razoável supor que declarações semelhantes em Hebreus também são escritas pela mesma razão e com a mesma intenção (3:14, 4:14, etc.).

Para resumir, os leitores eram crentes e fizeram alguns progressos desde que foram convertidos, mas foram perseguidos por causa de sua fé cristã e foram pressionados a abandoná-la, e a retornar a um antigo modo de vida, muito provavelmente o modo de vida judeu. Usando um argumento teológico maduro e continuado, o escritor de Hebreus demonstra que Jesus Cristo é o superior e único caminho, e que ao invés de tornarem-se negligentes e temerosos, e de voltarem ao estilo de vida anterior, os leitores devem prosseguir adiante pela fé, e persistir até o fim.

É assim que devemos entender as declarações em torno do nosso texto: “apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel (v. 23. ...Quem rejeitava a Lei de Moisés morria sem misericórdia... Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus… e insultou o Espírito da graça? (v. 28-29) …Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados quando suportaram muita luta e muito sofrimento. ...Por isso não abram mão da confiança que vocês têm (v. 32, 35)… Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que Ele prometeu (v. 36). ... Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são salvos.  (v. 39).”

O tema que perpassa todas as passagens é Jesus Cristo, sem dúvida, levarmos  para casa esta exortação: “Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se a direita do trono de Deus. Pensem bem Naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem desanimem” (12:2-3). Assim, o impulso de 10:25 não pode bruscamente ser sobre a igreja como tal. A mensagem de Hebreus é que os cristãos devem se apegar a Jesus Cristo, e não que eles devam se agarrar uns aos outros. Esses dois não são a mesma coisa. Os membros de uma congregação local podem permanecer juntos, e juntos podem abandonar a Cristo e seguir na direção errada, como muitas igrejas fizeram. Mas a mensagem de Hebreus exigiria que uma pessoa ficasse sozinha e se apegasse a Jesus Cristo, mesmo quando todos os outros membros de uma congregação abandonassem a fé.

Hebreus 10:25 deve ser colorido por esta mensagem e contexto, e portanto, o ponto é que os crentes não devem se afastar de uma congregação local devido ao cansaço espiritual ou medo de perseguição. Isto é, se o escritor tivesse adicionado um verso que diz: “Não deixem o país”, nesse contexto, não poderia ser interpretado como uma proibição contra viagens, mas o significado seria: “Não fujam (mesmo para fora do país) por causa de cansaço espiritual ou medo de perseguição."

Assim, os líderes cristãos barateam o versículo e desviam a atenção de seu tema principal – Jesus Cristo – quando o usam principalmente para exigir a participação e frequência à igreja. Costuma-se dizer que nenhum crente pode crescer ou permanecer fiel sem comunhão constante com outros crentes. Isso é um lixo! Há, de fato, vários versos em Hebreus que dizem aos cristãos para encorajar uns aos outros, mas a Bíblia nunca diz que ninguém pode permanecer fiel sem isso. Pelo contrário, ninguém pode ficar sem Jesus Cristo, isto é, sua graça para sustentar nossa fé Nele. E com sua força, qualquer um pode ficar sozinho, não apenas contra incrédulos, mas até mesmo contra dez mil igrejas apóstatas. Jesus Cristo é o autor e consumador da nossa fé, não a igreja ou os outros crentes. Ele pode usar outras pessoas para realizar seu propósito, mas nada na Bíblia sugere que Ele deva.

Existem ramificações significativas. Por exemplo, isso permite a possibilidade de uma pessoa suspender sua participação ou retirar sua adesão, não por cansaço espiritual ou medo de perseguição, mas precisamente devido à fidelidade a Cristo. Ninguém pode dizer a ele: “Mas a Bíblia diz para 'não abandonar a nossa congregação' ”. Não, ela não diz isso, não exatamente. O contexto é como uma frase ou declaração entre parênteses. Desse modo, o verso realmente diz: “Não abandonando a nossa própria congregação (por cansaço espiritual ou medo de perseguição)”. Claro, é possível que ele esteja usando a fidelidade a Cristo como pretexto, mas primeiro, ele pode de fato estar se retirando devido à fidelidade; e segundo, contanto que ele faça essa afirmação, mesmo que ele esteja arrumando um pretexto, ainda assim, 10:25, não se aplica direta e imediatamente a ele.

Existem muitas manifestações possíveis disso. Lembre-se de que Cristo e suas doutrinas não devem ser separados (6:1-3). Progredir em Cristo é também progredir na teologia cristã, entre outras coisas. Suponha que você seja o pastor, e um membro se queixe: “Sua pregação é tão herética e que é melhor eu ficar em casa e ler um livro”. Ele deseja ficar longe de você precisamente porque deseja se apegar a Cristo e progredir na fé. Ele não está abandonando a Cristo, mas deixando a sua igreja precisamente porque ele não quer abandonar a Cristo. Ele não está retornando para sua antiga vida, mas deixando você e indo em frente com Cristo.  E ele está deixando sua igreja precisamente porque ele não tem medo de perseguição, nem mesmo perseguição de você e de sua gente.

Então você não pode usar Hebreus 10:25 contra ele, a menos que possa demonstrar que você é de fato hábil e ortodoxo nas doutrinas bíblicas e que essa pessoa não sabe do que está falando. Você pode discordar do que ele está fazendo ou do seu raciocínio, mas precisará de uma base bíblica diferente de 10:25 para apoiar sua opinião. No entanto, se ele estiver certo, então Hebreus 10:25 de fato milita contra você – você é quem não terá se apegado  a Cristo, mesmo que permaneça em uma congregação, e provavelmente uma congregação de pessoas tão destrutiva e herética quanto você. Note que, porque seu verdadeiro significado tem sido obscurecido, esse texto tem sido usado pelos líderes da igreja para ameaçar os crentes por submissão sem ter que melhorar seus próprios ministérios ou permitir que as pessoas sigam a Cristo quando seus líderes têm falhado.

Se a objeção for que nós frequentamos a igreja não apenas para receber, mas para contribuir, então você permite que ele contribua? Se ele não puder progredir em Cristo sem sua igreja, e se não estiver qualificado para contribuir, então demonstre isso a ele, mas note que 10:25 ainda não se aplica. E se ele estiver certo de que sua igreja é problemática, e se estiver qualificado para contribuir, então por que ele não teria permissão para começar sua própria igreja ou ministério? Hebreus 10:25 não o impede, e não o força a ficar com a sua congregação em particular, então, novamente, isso não se aplica. Ele estaria deixando sua igreja porque é cheio de zelo e coragem, não por causa do cansaço e do medo.

Em uma era de apatia espiritual e insensibilidade, muitas congregações estão perdendo membros. Os líderes ficam nervosos e desesperados, e um tanto irritados, e ameaçam as ovelhas com versículos tirados do contexto, como Hebreus 10:25. No entanto, a verdadeira solução é declarar a mesma mensagem que o escritor de Hebreus dirigiu a seus leitores. Isto é, Jesus Cristo é superior a todas as coisas, e Ele é o único caminho para a vida, para o descanso e para a salvação. Se aqueles que rejeitaram Moisés morreram sem misericórdia, quanto mais severamente Deus castigará quem se afasta de Jesus Cristo? Não há diversidade religiosa com Deus, mas há apenas um Senhor, uma fé, um alvo. Há misericórdia em Cristo, mas nenhuma fora Dele. É Jesus Cristo, ou o sofrimento e a tortura eternos no inferno. Mas esta mensagem não serviria à suas agendas particulares e ambições ministeriais - você pode fazer isso apenas torcendo as Escrituras. Portanto, devemos continuar com Jesus Cristo e progredir na fé, com ou sem uma, e a favor ou contra uma congregação local, pois a salvação e o progresso espiritual estão em Cristo e não na igreja. Alguns líderes preferem fazer ameaças vazias do que continuar com Cristo. Eles são os únicos que serão deixados para trás.

Para que o acima exposto não seja ainda mal compreendido, uma vez que o uso tradicional foi tão solidificado na mente das pessoas que qualquer desafio contra a distorção pode ser interpretado como um desafio contra a própria igreja, enfatizarei novamente que nada do que eu disse se constitui um argumento contra a igreja, sua membresia  e sua frequência; visto que endosso todas essas coisas. O argumento é contra o uso indevido de um verso, contra líderes que inventam pretextos, e contra – intencionalmente ou não – substituir Jesus Cristo pela comunhão da igreja. Vamos interpretar corretamente as Escrituras, não abandonando o contexto, como é costume de alguns. Mas focando nossa mente e energia em Jesus, retenhamos firmemente a confissão de nossa fé.

[http://www.vincentcheung.com/2011/05/25/not-forsaking-context/]

Traduzido por:
Cristiano Lima

sábado, 2 de junho de 2018

PODERES SE ESTENDERAM A TODOS OS AGENTES COMUNS – Vincent Cheung –

Os cessacionistas são muito orgulhosos de suas percepções sobre a história da redenção. Mas como Jesus disse, “Hipócritas! Vocês sabem interpretar a aparência da terra e do céu. Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente?”

Eles não meramente ensinam coisas que estão fora de curso. Isso já seria ruim o suficiente, pois está escrito, “não se desvie para a direita ou para a esquerda.” Na verdade o que eles afirmam é o oposto do que a Bíblia ensina.

A Bíblia deixa claro que vivemos em um tempo de máximo poder miraculoso, mas os cessacionistas retratam isso como um tempo de poder miraculoso mínimo, e até mesmo de nenhum poder miraculoso. Eles acham que o Evangelho expirou. Pensam que este é um tempo em que os milagres deveriam ter cessado, mas este é um tempo em que os milagres deveriam ter aumentado.

Eles acham que este é um tempo em que os poderes miraculosos cessaram porque todo agente especial morreu, mas este é um tempo em que os poderes miraculosos se estenderam a todo agente comum. As manifestações do Espírito são dadas a qualquer um que tenha fé em Jesus Cristo, de qualquer gênero, em qualquer período, de qualquer classe, em qualquer nação.

Os cessacionistas não compreendem a história da redenção. Eles têm perdido tanto o espírito quanto a substância do Evangelho. Têm  perdido o tempo da visitação.
 
 http://www.vincentcheung.com/2018/05/12/powers-have-extended-to-every-ordinary-agent/

Tradução: Cristiano Lima 28/05/2018